MANIFESTO

NOISE PROPAGANDA

 

Danilo Cunha é artista visual.

Sua prática atravessa fotografia, vídeo, stencil, colagem, serigrafia, adesivos e lambe-lambes — linguagens que ocupam o espaço urbano e transformam superfície em mensagem.

Entre ateliê e rua, entre muro e tecido, seu trabalho não separa arte de circulação.

Formado pela cultura do skate desde o final dos anos 1980 e pela ética DIY do hardcore, seu trabalho carrega a lógica da rua: criar, registrar e espalhar.

A cidade é suporte.
A intervenção é linguagem.

A Noise Propaganda nasce desse mesmo impulso:
transformar o cotidiano urbano em arte vestível.

 

O NOME

 

Noise é ruído.

É o som da rua em movimento.
Interferência. Frequência. Tensão.

É o incômodo criativo que rompe o silêncio.

Propaganda não é publicidade.

É espalhamento.
É presença.

É ocupar o espaço com imagem e ideia — como um lambe no muro, um adesivo na esquina ou uma peça que atravessa a cidade.

Noise Propaganda é o barulho que circula.

 

O SÍMBOLO

 

O pombo representa a presença urbana.

Resistente, adaptável, constante.
Ele não pede permissão — ele habita.

É coletivo.
É anônimo.
É movimento.

O rosto surge como uma presença recorrente.

Uma figura direta, reduzida ao essencial.
Muitas vezes acompanhado da pergunta “está tendo retorno?”, ele atravessa a cidade como um eco — entre provocação, dúvida e reflexão.

Entre identidade e anonimato, reflete quem ocupa o espaço urbano — quem observa, atravessa e deixa marcas na paisagem da cidade.

É presença.
É indivíduo dentro do ruído coletivo.

O N é a síntese.

Inicial e estrutura.

Duas hastes que se cruzam criando tensão e direção.

É construção gráfica.
É assinatura reduzida ao essencial.

Se o pombo circula,
o rosto observa,
e o N fixa.

 

OCUPAÇÃO

 

A Noise não nasce na vitrine.

Nasce na rua.

Adesivos colados à noite.
Lambe-lambes espalhados pela cidade.
Intervenções que não pedem autorização para existir.

A marca carrega essa lógica:

ocupar antes de vender.
existir antes de anunciar.

Muitas imagens nascem primeiro na rua — em stencil, adesivo ou lambe-lambe — antes de se tornarem peça.

Cada peça é também um ponto de circulação.

Quem veste, propaga.

 

A FONTE

 

A Futura traz o contraste.

Clara, geométrica, atemporal.

Uma tipografia que atravessou manifestos visuais do século XX e permanece atual.

Na Noise, ela não é apenas escolha estética.

Sua estrutura sólida permite o corte do stencil e a aplicação direta na rua.
O logo nasce em Futura Bold, criando espaço suficiente para a tinta marcar superfícies como lixa de skate, muros e adesivos.

Antes mesmo das primeiras peças existirem, o símbolo já circulava pela cidade em forma de intervenção — aplicado em lixas, paredes e stickers como parte de um processo de ocupação e guerrilha visual.

A tipografia sustenta o ruído.
É estrutura para a interferência.

 

O CONCEITO

 

Noise Propaganda é arte, rua e experimentação.

Cada drop funciona como uma exposição.

Pequenas tiragens.
Processo manual.
Presença do gesto.

Camisetas, shapes, gravuras e colagens coexistem como um mesmo corpo criativo —
sem fronteira entre arte e produto.

Criada em Mogi Mirim-SP, a marca atua como um laboratório visual que une streetwear, arte contemporânea e cultura urbana.

Cada intervenção, imagem ou peça soma-se a um arquivo em constante construção — um registro visual da relação entre arte, rua e tempo.

Não é produção em massa.
É construção consciente.

Não é tendência.
É permanência.

Noise Propaganda não é apenas uma marca.

É o barulho que veste a cidade.
É o ruído que permanece.