Vocês começaram como banda cover e agora estão entrando na fase autoral. Como foi essa transição e o que motivou vocês a criarem músicas próprias?
No início, nós tínhamos a pretensão de tocar músicas de bandas que gostávamos, provavelmente como toda banda cover. Fizemos exatamente isso, mas buscando tocar covers que ninguém toca, o repertório foi crescendo, junto com os shows e a banda como um todo foi se aperfeiçoando. Não demorou muito para haver um comentário ou outro nos ensaios de criarmos algo. Esse comentário foi virando o famoso “é, tem que ver isso aí”.
A motivação para o autoral, de forma geral, tem a ver com a satisfação de colocarmos nossa personalidade naquilo que estamos criando. É importante e divertido tocar cover, mas escrever uma música relatando nossas experiências é algo muito único.
A virada de chave aconteceu com “No Time”, nossa primeira autoral. O Choquetta levou um rascunho da letra e a estrutura da música ao Pedro, que encaixou na voz dele e deixou a letra mais fluida e, na mesma semana, no ensaio a banda toda comprou a ideia. Depois de cada um colocar um pouco da sua “visão”, a música já rolou. Foi surpreendente para todos nós, acendeu uma lâmpada na cabeça de cada um (risos).
Como se deu a formação dos Gasolinos e de onde vem o nome da banda? Quais referências e ideias influenciaram essa escolha desde o início?
O nome é uma história engraçada, a gente começou a banda como "Mixaria", mas quando marcamos o primeiro show e fomos criar conteúdo e redes sociais da banda, decidimos mudar o nome, porque “Mixaria” seria pejorativo demais.
O Pedro trouxe a ideia de "Gasolinos" de um episódio de um programa de TV (Diesel Brothers). No episódio eles fazem um cabo de guerra com outro time que se chamava "Los Gasolinos". Ele trouxe a ideia já com logo feito, de começo, era um nome interino até acharmos um melhor, mas todo mundo começou a curtir o nome, casou muito com a estética que a gente buscava, visando onde poderíamos tocar o repertório que tínhamos, carro antigo, moto antiga, inflamável e etc.

Os macacões estilo de posto viraram uma marca visual da banda. De onde veio essa estética e o que ela representa pra vocês?
Então, a ideia do macacão surge a partir da festa de Halloween da Cali. Nós precisávamos de uma fantasia para a banda e não sabíamos o que fazer, até que, provavelmente o Pedro, levanta essa ideia, de usarmos o macacão para a festa, o que fez sentido com o nome da banda.
Imediatamente, o macacão deixou de ser uma fantasia e se tornou o uniforme da banda, pois, primeiro, a ideia era legal e como dissemos, fez muito sentido com a banda e, segundo, porque tocar de macacão reforça a personalidade da banda, o que indiretamente (ou não) também influencia na metáfora utilizadas nas construção das letras, como velocidade e gasolina.
Há um outro detalhe interessante sobre o macacão, que é o fato de ele ter tido muita aderência ao público: as pessoas gostaram muito, algumas quiseram até comprar. Inclusive, em um casamento que tocamos, os noivos pediram para que usássemos o macacão ao invés de trajes finos; não que o macacão não seja elegante também! hahaha
O videoclipe recém-lançado traz uma energia crua e direta. Como foi o processo de criação do clipe e a ideia por trás dele?
O clipe foi uma doideira total, quando fomos pra Limeira-SP gravar o áudio de “No Time”, o Alexandre Dipper (produtor), disse que queria fazer o clipe também e, no caminho, já mostrou onde seria legal filmar.
A ideia era usar um espaço lá na cidade onde ficavam parados os caminhões da União Açúcar, um descampado aberto gigantesco (abandonado, em teoria), ia ficar muito doido. Montamos tudo e, do nada, apareceram dois caras falando que o espaço era privado e que eles eram os caseiros de lá e que era pra gente sair dali de imediato senão iam chamar a polícia (risos), saímos no desespero e começamos a procurar outro lugar.
Encontramos um posto de gasolina abandonado e, depois da frustração de não gravar no primeiro local, pedimos autorização para o proprietário do posto que, obviamente, também não deixou.
Depois de rodar a cidade toda caçando um lugar legal, o Alexandre comentou sobre a Estação do Tatu, e fomos para lá. O fato de ela estar abandonada deixou tudo muito mais legal, parecia que tinha sido a primeira escolha nossa.
Gravamos tudo num sol de 800ºC, o mais rápido possível, além do Alexandre com as câmeras, o "Suave", nosso amigo, também tava com o drone para fazer alguns takes.
Sobre a edição e a fotografia do clipe, acho que o Alexandre entendeu muito bem a nossa intenção com a música, falar sobre tempo, sobre pressa e isso fica muito claro no clipe, o próprio trem representa muito isso, a estação abandonada, foi um trabalho que a gente ficou muito surpreso e da forma mais positiva possível.
Sendo um Rock’n’Roll made in Mogi, como a cena local influencia o trabalho dos Gasolinos e quais são os próximos passos da banda nas músicas autorais?
Existe uma cena na região, mas bandas que já começaram 100% no autoral, bandas incríveis inclusive, mas como a gente vem do cover, é uma relação que ainda não desenvolvemos muito. Há também bandas que, assim como a gente, começaram com cover e incluíram autorais com o tempo, é complicado, nem sempre as pessoas estão dispostas a conhecer coisas novas, principalmente no “bom e velho rock’n’roll”.
E infelizmente, talvez isso não mude em pouco tempo, em consequência da própria cultura da região. Querendo ou não, aqui o entretenimento e a vida noturna são muito mais voltados pro sertanejo, sendo assim, o cover ainda é o que chama atenção e lota a agenda nos poucos lugares que existem pra quem quer ouvir um rock.
Aqui na região a gente tem bandas que influenciaram uma geração inteira como as saudosas Godzilla e Zenith, e outras que ainda estão na ativa como Kerozene, Boneca de Cera e outras mais.
Em relação aos próximos passos das músicas autorais, já temos mais algumas prontas, quase o suficiente para lançarmos um álbum. As músicas, em sonoridade, são inspiradas em bandas que crescemos ouvindo, como AC/DC, Black Sabbath, Motörhead e The Hellacopters, mas as referências da escrita também passam pela cultura de rua e a vida urbana, assim como a própria Noise, seguem uma linha que aborda temas como superação, falta de tempo, vivências, experiências, aceleração e sentimentos de forma geral.
Esperamos que em 2026 a gente possa continuar tocando, que é o que a gente ama, e lançar nosso primeiro álbum autoral.
@gasolinosbanda
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